>Difícil fotografar o silêncio…

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Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém ou outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

Fonte:Manoel de Barros

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3 Respostas para “>Difícil fotografar o silêncio…

  1. >Ei Emília,Muito bom esse texto, precisamos ter sensibilidade para fotografar as boas coisas que a vida nos apresenta.Muito bom estar aqui e ter você de volta.Gd beijo

  2. >Manoel de Barros é mesmo tudo de bom, Emilinha!! Beijão, bom final de semana 🙂

  3. >Fotografia…uma forma de eternizar o que não volta. E aos olhos da lente de Manoel de Barros a simplicidade.Em meu último post falei em ti…Bjos

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