>As árvores mais floridas do Brasil…

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(O pé de manacá)
Minha mãe gostava da “casa arrumada.”Ela sempre preparou tudo com muito carinho,beleza, para que os seis filhos,os amigos dos filhos,primas e  primos se sentissem bem quando lá estivessem.

Me recordo pefeitamente como ela arrumou a casa da fazenda, lugar onde passávamos as férias, quando chegávamos  de Belo Horizonte, onde estudávamos.Os banhos de rio, passeios a cavalo, fogueiras a noite e muita alegria.
Desde pequena, convivi com a beleza dos ipês, tão comum em Minas Gerais.Vanjinha plantou três pés de cada lado da casa, e perto da escada que dava acesso à varanda , colocou um pé de manacá que dá suas flores púrpuras e brancas no verão, tornando ainda mais belo e colorido o ambiente.
Quando a noite chegava , podíamos sentir o cheiro gostoso que emanava de suas flores.
Era mesmo uma “fazenda arrumada”, onde o que importava era ser feliz.
Acordei com  essa saudade e fui buscar um texto de Rubem Alves que escreve muito bem  sobre o que sinto neste momento e que se escritora fosse, gostaria de ter sido a autora.(Escrito por Emilinha)

“Gosto dos ipês de forma especial. Questão de afinidade. Alegram-se em fazer as coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está prá chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio.

Conheci os ipês na minha infância, em Minas, os pastos queimados pela geada, a poeira subindo das estradas secas e, no meio dos campos, os ipês solitários, colorindo o inverno de alegria. O tempo era diferente, moroso como as vacas que voltam em fim de tarde. As coisas andavam ao ritmo da própria vida, nos seus giros naturais. Mas agora, de repente, esta árvore de outros espaços irrompe no meio do asfalto, interrompe o tempo urbano de semáforos, buzinas e ultrapassagens, e eu tenho de parar ante esta aparição do outro mundo. Como aconteceu com Moisés, que pastoreava os rebanhos do sogro, e viu um arbusto pegando fogo, sem se consumir. Ao se aproximar para ver melhor, ouviu uma voz que dizia: “Tira as sandálias dos teus pés, pois a terra em que pisas é santa”. Acho que não foi sarça ardente. Deve ter sido um ipê florido. De fato, algo arde, sem queimar, não na árvore, mas na alma. E concluo que o escritor sagrado estava certo. Também eu acho sacrilégio chegar perto e pisar as milhares de flores caídas, tão lindas, agonizantes, tendo já cumprido sua vocação de amor.

Mas sei que o espaço urbano pensa diferente. O que é milagre para alguns é canseira para a vassoura de outros. Melhor o cimento limpo que a copa colorida. Lembro-me de um pé de ipê, indefeso, com sua casca cortada a toda volta. Meses depois, estava morto, seco. Mas não importa. O ritual de amor no inverno espalhará sementes pela terra e a vida triunfará sobre a morte, o verde arrebentará o asfalto. A despeito de toda a nossa loucura, os ipês continuam fiéis à sua vocação de beleza, e nos esperarão tranqüilos. Ainda haverá de vir um tempo em que os homens e a natureza conviverão em harmonia.
Cada um dizendo uma coisa diferente. Três partes de uma brincadeira musical, que certamente teria sido composta por Vivaldi ou Mozart, se tivessem vivido aqui

Agora são os ipês rosa. Primeiro movimento, “Ipê Rosa”, andante tranqüilo, como o coral de Bach que descreve as ovelhas pastando. Ouve-se o som rural do órgão.
Depois virão os amarelos.
Segundo movimento, “Ipê Amarelo”, rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com as do ipê, fazem soar a exuberância da vida.
Por fim, os brancos
Terceiro movimento, “Ipê Branco”, moderato, em que os violoncelos falam de paz e esperança. Penso que os ipês são uma metáfora do que poderíamos ser. Seria bom se pudéssemos nos abrir para o amor no inverno…

Corra o risco de ser considerado louco: vá visitar os ipês. E diga-lhes que eles tornam o seu mundo mais belo. Eles nem o ouvirão e não responderão. Estão muito ocupados com o tempo de amar, que é tão curto. Quem sabe acontecerá com você o que aconteceu com Moisés, e sentirá que ali resplandece a glória divina… (Rubem Alves/Tempus Fugit, pág. 12).

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6 Respostas para “>As árvores mais floridas do Brasil…

  1. >EmilinhaAdoro ver a árvore florida, mas me encanta ver o tapete que se forma com as flores, quando já cumpriram sua missão. Olhar aquilo traz paz para a alma.Encanta os olhos.Relaxa a tensão.Faz o rosto sorrir sem se perceber.É um presente Divino.Beijinhos e ótimo fim de semana.

  2. >Zizi, era assim que eu me sentia quando via todas aquelas ávores floridas.Meus pais plantaram o pomar da fazenda, e tiveram o cuidado e carinho de colocar uma muda de cada espécie,como:sapoti,manga,laranja,goiaba,limão..etc.Eles preparam tudo com muito carinho e vc sentia isso quando lá estava.Tive uma infância muito feliz e privilegiada.Beijos..

  3. >Miga,ambos os textos(teu e do Rubem)cativam e preenchem a alma de doces recordações.A natureza traduzida nas coisas simples e belas nos lembram o pertencimento à mágica da vida em nós e à nossa volta.Vivências encantadas!Adoro os ipês , os manacás, os flamboyants, os bouganvilles…são presentes generosos.Lindo fim de semanaBjkas, Calu

  4. >Oi de novo, miga,estamos juntas na blogsfera e acabei de ver a beleza de plano de fundo que vc colocou lá no fractais. Adooorei!!Vc adivinha meu gosto. Isso é que é boa sintonia.Não ,à toa nos encontramos nos idos 11 anos de "conhecimento e amizade."Obrigada, obrigada minha linda, Bjkas, Calu

  5. >MilinhaTambém adoro os ipês, em especial os rosas!Aqui em Santos existe uma avenida cheinha de ipês rosas e,qdo ia trabalhar bem cedinho, no ônibus, meu maior prazer era ir vendo dia a dia eles florescendo!!!Mais bonito ainda é o verdadeiro tapete que eles deixam nas calçadas, coisas que qquer poeta vê!!!Tempo bom aquele que ir trabalhar era um verdadeiro passeio para minha alma…BjosSe Deus permitir estarei ai em abril…mas vou para hotel, que não quero dar trabalho, só quero passear com vcs!!!Laurinha

  6. >EmiliaQue lindo texto … ambos!Aqui em Minas Gerais tenho o prazer de apreciar a beleza do verde com mais intensidade.Salve a natureza, sempre bela, sempre encantando!Gostei dessaparte:"Eles nem o ouvirão e não responderão. Estão muito ocupados com o tempo de amar, que é tão curto. Quem sabe acontecerá com você o que aconteceu com Moisés, e sentirá que ali resplandece a glória divina…"Tomara que tbem nós saibamos aproveitar este curto tempo para amar sempre mais … cada vez mais.É o mínimo que Deus espera de cada um de seus filhos.E torna-se impossivel sua glória não resplandecer assim!Bjokas

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